O que estamos trancando em nossas vidas?

Publicada em: 9 de novembro de 2016 | Atualizada em: 9 de novembro de 2016
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Existe uma certa cultura disseminada e comum no meio estudantil que é o trancamento de disciplinas diante de um mau resultado (bomba!) na primeira prova. Em trancar disciplinas, não há problema algum. Agora, trancá-las sem sequer fazer qualquer reflexão sobre o porquê de estar trancando ou sem se perguntar ao menos se deveria tentar ir mais além, aí precisamos conversar…
Imagine-se num barco em alto mar, você calmo e tranquilo diante de algumas marolinhas que aparecem, de boa, seguindo o fluxo, sem se preocupar muito com a rota… De repente, vem uma grande onda! Uma não, uma sequência de ondas, cada uma mais alta e forte que a outra! Você se desespera, se agarra às velas tentando não afundar, procura o roteiro para tentar se orientar, mas nada adianta. Você se vê horas depois todo encharcado, à deriva, sem forças e arrasado… No entanto, há duas alternativas possíveis: retornar ao barco, tentar ajustar velas e rota e refazer o caminho. Ou nadar até a areia firme mais próxima e permanecer lá, aguardando o universo conspirar a seu favor e lhe ajudar a sair de lá.
E então, qual a sua escolha?
Uma coisa é trancar disciplinas como forma de reajustar as velas do barco e refazer um rumo, avaliar o que precisa ser melhorado e implementar as mudanças para prosseguir melhor no mesmo caminho. Ou seja, é fruto de uma decisão pensada de dar um passo atrás visando dar dois mais adiante.
Outra coisa é seguir (repetindo e reforçando) uma cultura do medo, da fuga. Diante da nota baixa na primeira tentativa, é até natural que surja certo desespero e desistir aparece (e só parece) como alternativa mais fácil. E saímos trancando disciplinas, sem pestanejar, sem pensar. O impacto da nota baixa parece que afeta, quase instantaneamente, a auto-estima e a pessoa se sente frustrada e incapaz, seja de permanecer ou de seguir adiante. O medo se instala e escapar parece mais viável do que enfrentar o problema: encarar os medos, avaliar os erros e seguir estudando ainda mais para tentar passar, sabendo que, caso não dê certo, o conteúdo aprendido pode ser aproveitado para passar no próximo semestre.
Então, antes de trancar ou decidir sobre suas disciplinas e seu semestre acadêmico, reflita: Será que trancar disciplinas, por medo, também não nos faz trancar sonhos? Será que cada disciplina trancada não estará lhe afastando cada vez mais de seus propósitos e do motivo de você estar aqui na universidade?
Toda vez que optamos por abandonar o barco, ao invés de ajustar as velas e redefinir rumos, nos distanciamos dos planos e projetos de vida que dependem de nós: independência financeira, realização profissional, amadurecimento pessoal, a viagem dos sonhos, a família que se almeja construir e tantos outros desejos pessoais que dependem de reflexão, dedicação, atitude e coragem para não afastá-los para longe. Não podemos permitir que o medo de enfrentar (ou tentar mudar) certa realidade nos distancie da felicidade e das conquistas que possam vir de nossos esforços.
E finalizo advertindo: “Cuidado com o medo, ele adora roubar sonhos.”

Luiza Eridan Elmiro Martins de Sousa
Psicóloga da Campus da UFC em Quixadá

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